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20.TAHA
"TAHA" Revelada em Makka; 135 versículos, com exceção dos versículos 130 e 131, que foram revelados em Madina.


Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

  1. Taha.


  2. Não te revelamos o Alcorão para que te mortifiques.


  3. Mas sim como exortação aos tementes.


  4. É a revelação de Quem criou a terra e os altos céus,


  5. Do Clemente, Que assumiu o Trono.


  6. Seu é tudo o que existe nos céus, o que há na terra, o que há entre ambos, bem como o que existe sob a terra.


  7. Não é necessário que o homem levante a voz, porque Ele conhece o que é secreto e ainda o mais oculto.


  8. Deus! Não há mais divindade além d’Ele! Seus são os mais sublimes atributos.


  9. Chegou-te, porventura, a história de Moisés?


  10. Quando viu o fogo, disse à sua família: Permanecei aqui, porque lobriguei o fogo; quiçá vos traga dele uma áscua ou, por outra, ache ao redor do fogo alguma orientação.


  11. Porém, quando chegou a ele, foi chamado: Ó Moisés,


  12. Sou teu Senhor! Tira as tuas sandálias, porque estás no vale sagrado de Tôua.


  13. Eu te escolhi. Escuta, pois, o que te será inspirado:


  14. Sou Deus. Não há divindade além de Mim! Adora-Me, pois, e observa a oração, para celebrar o Meu nome,


  15. Porque a hora se aproxima - desejo conservá-la oculta, a fim de que toda a alma seja recompensada segundo o seu merecimento.


  16. Que não te seduza por aquele que não crê nela (a Hora) e se entrega à concupiscência, porque perecerás!


  17. Que levas em tua mão destra, ó Moisés?


  18. Respondeu-Lhe: É o meu cajado, sobre o qual me apoio, e com o qual quebro a folhagem para o meu rebanho; e, ademais, serve-me para outros usos.


  19. Ele lhe ordenou: Arroja-o, ó Moisés!


  20. E o arrojou, e eis que se converteu em uma serpente, que se pôs a rastejar.


  21. Ordenou-lhe ainda: Agarra-a sem temor, porque a reverteremos ao seu primitivo estado.


  22. Junta a mão ao te flanco e, quando a retirares, estará branca, imaculada; constitui-se-á isso em outro sinal,


  23. Para que te demonstremos alguns dos Nossos maiores portentos.


  24. Vai ao Faraó, porque ele se extraviou.


  25. Suplicou-lhes: Ó Senhor meu, dilata-me o peito;


  26. Facilita-me a tarefa;


  27. E desata o nó de minha língua,


  28. Para que compreendam a minha fala.


  29. E concede-me um vizir dentre os meus,


  30. Meu irmão Aarão,


  31. Que poderá me fortalecer.


  32. E associa-o à minha missão,


  33. Para que Te glorifiquemos intensamente.


  34. E para mencionar-Te constantemente.


  35. Porque só Tu és o nosso Velador.


  36. Disse-lhe: Teu pedido foi atendido, ó Moisés!


  37. Já te havíamos agraciado outra vez,


  38. Quando inspiramos a tua mãe o que lhe foi inspirado:


  39. Põe (teu filho) em um cesto e lança-o ao rio, para que este leve à orla, donde o recolherá um inimigo Meu, que é também dele. Depois, Eu lhes infundi amor para contigo, para que fosses criado sob a Minha vigilância.


  40. Foi quando tua irmã apareceu e disse: Quereis que vos indique quem se encarregará dele? Então, restituímos-te à tua mãe, para que se consolasse e não se condoesse. E mataste um homem; porém, libertamos-te da represália e te provamos de várias maneiras. Permaneceste anos entre o povo de Madian; então (aqui) compareceste, como te foi ordenado, ó Moisés!


  41. E te preparei para Mim.


  42. Vai com teu irmão, portando os Meus sinais, e não descures do Meu nome.


  43. Ide ambos ao Faraó, porque ele se transgrediu.


  44. Porém, falai-lhe afavelmente, a fim de que fique ciente ou tema.


  45. Disseram: Ó Senhor nosso, tememos que ele nos imponha um castigo ou que transgrida (a lei)!


  46. Deus lhes disse: Não temais, porque estarei convosco; ouvirei e verei (tudo).


  47. Ide, pois, a ele, e dizei-lhe: Em verdade, somos os mensageiros do teu Senhor; deixa sair conosco os israelitas e não os atormentes, pois trouxemos-te um sinal do teu Senhor. Que a paz esteja com quem segue a orientação!


  48. Foi-nos revelado que o castigo recairá sobre quem nos desmentir e nos desdenhar.


  49. Perguntou (o Faraó): E quem é o vosso Senhor, ó Moisés?


  50. Respondeu-lhe: Nosso Senhor foi Quem deu a cada coisa sua natureza; logo a seguir, encaminhou-a com retidão!


  51. Inquiriu (o Faraó): E que aconteceu às gerações passadas?


  52. Respondeu-lhes: Tal conhecimento está em poder do meu Senhor, registrado no Livro. Meu Senhor jamais Se equivoca, nem Se esquece de coisa alguma.


  53. Foi Ele Quem vos destinou a terra por leito, traçou-vos caminhos por ela, e envia água do céu, com a qual faz germinar distintos pares de plantas.


  54. Comei e apascentai o vosso gado! Em verdade, nisto há sinais para os sensatos.


  55. Dela vos criamos, a ela retornareis, e dela vos faremos surgir outra vez.


  56. E eis que lhe mostramos todos os Nossos sinais; porém (o Faraó) os desmentiu e os negou,


  57. Dizendo: Ó Moisés, vens, acaso, para nos expulsar das nossas terras com a tua magia?


  58. Em verdade, apresentar-te-emos uma magia semelhante. Fixemos, pois, um encontro em um lugar eqüidistante (deste), ao qual nem tu, nem nós faltaremos.


  59. Disse-lhe (Moisés): Que a reunião se celebre no Dia do Festival, em que o povo é congregado, em plena luz da manhã.


  60. Então o Faraó se retirou, preparou a sua conspiração e depois retornou.


  61. Moisés lhes disse: Ai de vós! Não forjeis mentiras acerca de Deus! Ele vos exterminará com um severo castigo; sabei que quem forjar (mentiras) estará frustrado.


  62. Eles discutiram o assunto entre si e deliberaram confidentemente.


  63. Disseram: Estes são dois magos que, com a sua magia, querem expulsar-vos da vossa terra e acabar com os vosso método exemplar.


  64. Concertai o vosso plano; apresentai-vos, então, em fila, porque quem vencer, hoje, será venturoso.


  65. Perguntaram: Ó Moisés, arrojarás tu ou seremos nós os primeiros a arrojar?


  66. Respondeu-lhes Moisés: Arrojai vós! E eis que lhe pareceu que suas cordas e cajados se moviam, em virtude da sua magia.


  67. Moisés experimentou certo temor.


  68. Asseguramos-lhes: Não temas, porque tu és superior.


  69. Arroja o que levam em tua mão direita, que devorará tudo quanto simularam, porque tudo o que fizerem não é mais do que uma conspiração de magia, e jamais triunfará o mago, onde quer que se apresente.


  70. Assim os magos se prostraram, dizendo: Cremos no Senhor de Aarão e de Moisés!


  71. Disse (o Faraó): Credes n’Ele sem que eu vo-lo permita? Certamente ele é o vosso líder e vos ensinou a magia. Juro que vos amputarei a mão e o pé de lados opostos e vos crucificarei em troncos de tamareiras; assim, sabereis quem é mais severo e mais persistente no castigo.


  72. Disseram-lhe: Por Quem nos criou, jamais te preferiremos às evidências que nos chegaram! Faze o que te aprouver, tu somente podes condenar-nos nesta vida terrena.


  73. Nós cremos em nosso Senhor, Que talvez perdoe os nossos pecados, bem como a magia que nos obrigastes a fazer, porque Deus é preferível e mais persistente.


  74. E quem comparecer como pecador, ante seu Senhor, merecerá o inferno, onde não poderá morrer nem viver.


  75. E aqueles que comparecerem ante Ele, sendo fiéis e tendo praticado o bem, obterão as mais elevadas dignidades;


  76. Jardins do Éden, abaixo dos quais correm rios, onde morarão eternamente. Tal será a retribuição de quem se purifica.


  77. Revelamos a Moisés: Parte à noite, com os Meus servos, e abre-lhes um caminho seco, por entre o mar! Não receies ser alcançado, nem tampouco experimentes temor!


  78. O Faraó os perseguiu com os soldados; porém, a água os tragou a todos!


  79. E assim, o Faraó desviou o seu povo, em vez de encaminhá-lo.


  80. Ó israelitas, Nós vos salvamos do vosso inimigo e vos fizemos uma promessa do lado direito do Monte (Sinai), e vos enviamos o maná e as condornizes,


  81. (Dizendo-vos): Desfrutai de todo o lícito com que vos agraciamos, mas não abuseis disso, porque a Minha abominação recairá sobre vós; aquele sobre quem recair a Minha abominação, estará verdadeiramente perdido.


  82. Somos Indulgentíssimo para com o fiel, arrependido, que pratica o bem e se encaminha.


  83. Que fez com que te apressasses em abandonar o teu povo, ó Moisés?


  84. Respondeu: Eles estão a seguir os meus passos; por isso, apressei-me até Ti, ó Senhor, para comprazer a ti.


  85. Disse-lhe (Deus): Em verdade, em tua ausência, quisemos tentar o teu povo, e o samaritano logrou desviá-los.


  86. Moisés, encolerizado e penalizado, retornou ao seu povo, dizendo: Ó povo meu, acaso vosso Senhor não vos fez uma digna promessa? Porventura o tempo vos pareceu demasiado longo? Ou quisestes que vos açoitasse a abominação do vosso Senhor, e por isso quebrastes a promessa que me fizestes?


  87. Responderam: Não quebramos a promessa que te fizemos por nossa vontade, mas fomos obrigados a carregar os ornamentos pesados do povo, e os lançamos ao fogo, tal qual o samaritano sugeriu.


  88. Este forjou-lhes o corpo de um bezerro que mugia, e disseram: Eis aqui o vosso deus, o deus que Moisés esqueceu!


  89. Porém, não reparavam que aquele bezerro não podia responder-lhes, nem possuía poder para prejudicá-los nem beneficiá-los?


  90. Aarão já lhes havia dito: Ó povo meu, com isto vós somente fostes tentados; sabei que vosso Senhor é o Clemente. Segui-me, pois, e obedecei a minha ordem!


  91. Responderam: Não o abandonaremos e nem cessaremos de adorá-lo, até que Moisés volte a nós!


  92. Disse (Moisés): Ó Aarão, que te impediu de fazê0los voltar atrás, quando viste que se extraviavam?


  93. Não me segues? Desobedeceste a minha ordem?


  94. Suplicou-lhe (Aarão): Ó filho de minha mãe, não me puxes pela barba nem pela cabeça. Temi que me dissesses: Criaste divergências entre os israelitas e não cumpriste a minha ordem!


  95. Disse (Moisés): Ó samaritano, qual é a tua intenção?


  96. Respondeu: Eu vi o que eles não viram; por isso, tomei um punhado (de terra) das pegadas do Mensageiro e o joguei (sobre o bezerro), porque assim me ditou a minha vontade.


  97. Disse-lhe: Vai-te, pois! Estás condenado a dizer (isso) por toda vida: Não me toqueis! E terás um destino do qual nunca poderás fugir. Olha para o teu deus, ao qual estás entregue; prontamente o incineraremos e então lançaremos as suas cinzas ao mar.


  98. Somente o vosso Deus é Deus. Não há mais divindades além d’Ele! Sua sapiência abrange tudo!


  99. Assim te citamos alguns dos acontecimentos passados; ademais, de Nós, concedemos-te a Mensagem.


  100. Aqueles que desdenharem isto, carregarão um pesado fardo no Dia da Ressurreição,


  101. Que suportarão eternamente. Que péssima carga será a sua no Dia da Ressurreição!


  102. Dia em que a trombeta será soada e em que congregaremos, atônitos,os pecadores.


  103. Murmurarão entre si: Não permanecestes muito mais do que dez (dias)!


  104. Nós bem sabemos o que dirão quando os mais sensatos, dentre eles, exclamarem: Não permanecestes muito mais do que um dia!


  105. E perguntar-te-ão acerca das montanhas. Dize-lhes: Meu Senhor as desintegrará,


  106. E as deixará como um plano e estéril,


  107. Em que não verás saliências, nem reentrâncias.


  108. Nesse dia seguirão um arauto, do qual não poderão afastar-se. As vozes humilhar-se-ão ante o Clemente, e tu não ouvirás mais do que sussurros.


  109. Nesse dia de nada valerá a intercessão de quem quer que seja, salvo a de quem o Clemente permitir e cuja palavra lhe for grata.


  110. Ele lhes conhece tanto o passado como o futuro, não obstante eles não logrem conhecê-Lo.


  111. As frontes se humilharão ante o Vivente, o Subsistente. Quem tiver cometido iniqüidade estará desesperado.


  112. E quem tiver praticado o bem e for, ademais, fiel, não terá a temer injustiça, nem frustração.


  113. Assim Nós to revelamos, um Alcorão em língua árabe, no qual reiteraremos as combinações, a fim de que Nos temam e lhes seja renovada a lembrança.


  114. Exaltado seja Deus, o Verdadeiro Rei! Não te apresses com o Alcorão antes que sua inspiração te seja concluída. Outrossim, dize: Ó Senhor meu, aumenta-te em sabedoria!


  115. Havíamos firmado o pacto com Adão, porém, te esqueceu-se dele; e não vimos nele firme resolução.


  116. E quando dissemos aos anjos: Prostrai-vos ante Adão! Todos se prostraram menos Lúcifer, que se negou.


  117. E então dissemos: Ó Adão, em verdade, este é tanto teu inimigo como de tua companheira! Que não cause a vossa expulsão do Paraíso, porque serás desventurado.


  118. Em verdade, nele não sofrerás fome, nem estarás afeito à nudez.


  119. E não padecerás de sede ou calor.


  120. Porém, Satanás sussurrou-lhe, dizendo: Ó Adão, queres que te indique a árvore da prosperidade e do reino eterno?


  121. E ambos comeram (os frutos) da árvore, e suas vergonhas foram-lhes manifestadas, e puseram-se a cobrir os seus corpos com folhas de plantas do Paraíso. Adão desobedeceu ao seu Senhor e foi seduzido.


  122. Mas logo o seu Senhor o elegeu, absolvendo-o e encaminhando-o.


  123. Disse: Descei ambos do Paraíso! Sereis inimigos uns dos outros. Porém, logo vos chegará a Minha orientação e quem seguir a Minha orientação, jamais se desviará, nem será desventurado.


  124. Em troca, quem desdenhar a Minha Mensagem, levará uma mísera vida, e, cego, congregá-lo-emos no Dia da Ressurreição.


  125. Dirá: Ó Senhor meu, por que me congregastes cego, quando eu tinha antes uma boa visão?


  126. E (Deus lhe) dirá: Isto é porque te chegaram os Nossos versículos e tu os esqueceste; a mesma maneira, serás hoje esquecido!


  127. E assim castigaremos quem se exceder e não crer nos versículos do seu Senhor. Sabei que o castigo da outra vida será mais rigoroso, e mais persistente ainda.


  128. Não lhes mostramos, acaso, quantas gerações, anteriores a eles, exterminamos, apesar de viverem nos mesmos lugares que eles? Nisso há exemplos para os sensatos.


  129. Porém, se não houvesse sido pela sentença proferida por teu Senhor e pelo término prefixado, o castigo teria sido inevitável.


  130. Tolera, pois (ó Mensageiro), o que dizem os incrédulos, e celebra os louvores do teu Senhor antes do nascer do sol, antes do seu ocaso durante certas horas da noite; glorifica teu Senhor nos dois extremos do dia, para que sejas comprazido.


  131. E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o gozo da vida terrena - a fim de, com isso, prová-las - posto que a mercê do teu Senhor é preferível e mais persistente.


  132. E recomenda aos teus a oração e sê constante, tu também. Não te impomos ganhares o teu sustento, pois Nós te proveremos. A recompensa é dos devotos.


  133. Dizem (entre si): Por que não vos apresenta ele um sinal de seu Senhor? Não lhes chegou, por acaso, a evidência mencionada nos primeiros livros?


  134. Mas, se os houvéssemos fulminado com um castigo, antes disso, teriam dito: Ó Senhor nosso, por que não nos enviaste um mensageiro, a fim de seguirmos os Teus versículos, entes de nos humilharmos e nos aviltarmos?


  135. Dize-lhes: Cada um (de nós) está esperando; esperai, pois! Logo sabereis quem está na senda reta e quem são os orientados!